Eddie Peake Caustic Community (Masks And Mirrors) Sao Paulo

Eddie Peake Caustic Community (Masks And Mirrors) Sao Paulo

Wednesday, November 20, 2013Friday, February 8, 2013


London, United Kingdom

O inglês Eddie Peake, hoje com pouco mais de 30 anos (nasceu em 1981), era um ilustre desconhecido até pouco tempo atrás. Nos últimos 24 meses, porém, saiu do anonimato para se tornar, segundo a crítica especializada de seu país, um dos nomes mais promissores da arte contemporânea. Seu trabalho versátil explora os reinos do voyeurismo, da sexualidade e das questões de gênero através de uma ampla variedade de mídias, incluindo fotografia, pintura, escultura neon e performance. O talento precoce o tornou o mais jovem artista a ser representado pela White Cube, maior galeria de arte do Reino Unido, cuja filial paulista inaugura, no dia 20 de novembro, a primeira mostra do britânico na América do Sul. Com 20 obras, ‘Caustic Community (Masks and Mirrors)’ apresenta um diálogo entre as suas duas séries mais recentes de pinturas: as ‘de máscara’ e as ‘de espelho’. A exposição, que se encerra no dia 8 de fevereiro de 2014, inclui ainda um vídeo inédito do artista, filmado no Novo México, nos EUA, no início deste ano.

Peake ganhou reconhecimento precoce no Reino Unido pela performance Amidst A Sea Of Flailing High Heels And Cooking Utensils (2012). A intervenção, dividida em duas partes, teve o seu primeiro ato na abertura do The Tanks, um espaço inaugurada em 2012, na Tate Modern, em Londres, dedicado exclusivamente a live art, instalações e trabalhos em vídeo, com desfecho na Chisenhale Gallery, na mesma cidade. Nas duas eletrizantes performances, dançarinos pintados de ouro encenaram um espetáculo erótico a partir de uma série de ações coreografadas. As pinturas de Peake são um desencadeamento de sua investigação em linguagem e performatividade, a exemplo da exposição no projeto Inside the White Cube, onde uma série de telas ‘de espelho’ do artista foram apresentadas juntamente com a intervenção Infinite Disparity (2013), em que um patinador trajado numa segunda pele de algodão transparente deslizava pela galeria entre as obras.

Para a exposição em São Paulo, o artista britânico criou uma série inédita de trabalhos em óleo e acrílica sobre tela além de pinturas com tinta spray laqueada em aço polido. Assim como suas performances exploram a figura em movimento, as novas obras transbordam em energia, onde cores vibrantes e textos maliciosos denotam um entusiástico desprendimento. Apesar disto, através das superfícies fissuradas, formas estranhas e caracteres pontudos sugerem também um traço de inquietude e até ansiedade.

As pinturas ‘de máscara’ de Peake são cuidadosamente feitas em acrílico e óleo, marcando severo contraste com o ritmo positivo e quase frenético dos trabalhos de textos com colourjet. Através da imagem da máscara e das superfícies espelhadas da obra, que incorporam e refletem a imagem do espectador, ele sugere uma série de identidades. A sensação de disjunção é intensificada pelo olhar sombrio da máscara, que, como um retrato de um cartoon, parece perseguir o observador pela sala.

Com traços que remetem ao smiley face e ao emoticon, a estética proposta por Peake questiona a eficácia dos sistemas contemporâneos de comunicação. Desta forma, nossas expectativas de significação são desestabilizadas pelo uso ocasional que o artista faz de títulos aparentemente sem sentido, onde os textos são, na verdade, compreendidos ao serem lidos de cima para baixo e não da esquerda para a direita

O trabalho de Peake foge da leitura literal, visando a transcender e redefinir categorias normativas de sexualidade e gênero. Em seu novo vídeo, Ingests The Throat Wrenching Gravity Of (2013), o artista descreve como ‘uma mulher nua masturba uma paisagem desértica’, onde as ondulações do seu corpo ecoam as curvas das dunas que a cercam. Ao representar uma série de gestos específicos frequentemente sugestivos, ela parodia as maneiras em que sexualidade e gênero são atribuídos ao corpo e induz o espectador a seus próprios impulsos voyeurísticos. Ao sugerir que a individualidade pode ser encenada desta forma em vez de ser algo óbvio, Peake abre possibilidades radicais para o indivíduo.